Mergulhar na Ilha do Arvoredo é, para muito mergulhador catarinense, o ponto mais alto da temporada. Maior ilha da Reserva Biológica Marinha do Arvoredo, ela concentra os melhores pontos de mergulho do Sul do Brasil — e também as regras mais rígidas de visitação do litoral. Este guia mostra os 8 pontos liberados, o que esperar de cada um, o papel da Reserva e do farol da Marinha, e o que levar para encarar águas que beiram os 17°C no inverno.

Ilha do Arvoredo vista do alto, maior ilha da Reserva Biológica Marinha em Santa Catarina

A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo

A Rebio Arvoredo foi criada em 12 de março de 1990 pelo Decreto Federal nº 99.142 e é administrada pelo ICMBio. Cobre cerca de 17.600 hectares de área marinha entre Florianópolis e Bombinhas, abrangendo quatro ilhas: Arvoredo (a maior), Galé, Deserta e o Calhau de São Pedro.

Como Reserva Biológica, está na categoria mais restritiva do Sistema Nacional de Unidades de Conservação. Visitação pública não é permitida na maior parte da área — o objetivo é preservar a biodiversidade marinha sem interferência humana direta. Pesquisa científica acontece sob autorização específica.

O mergulho recreativo entra como exceção controlada: é permitido apenas na ponta sul da Ilha do Arvoredo, no entorno do farol, num espaço que, oficialmente, está fora dos limites da Rebio. A parte norte da ilha — assim como a Deserta, as Galés e o Calhau de São Pedro — segue fechada, e a fiscalização é levada a sério.

Onde o mergulho é permitido

A área liberada vai do Saco do Capim, no flanco norte do trecho aberto, até a Ponta do Farol, no extremo sul. Tudo o que está acima dessa linha é zona de proteção integral. Para o mergulhador isso significa duas coisas: a operadora precisa ser credenciada pelo ICMBio, e cada saída acontece em pontos pré-definidos dentro desse perímetro.

Curiosamente, esse regime estrito virou aliado da fauna nos últimos anos. Operadoras relatam recuperação visível da ictiofauna na parte sul, em parte porque a presença constante de barcos de mergulho inibe pesca irregular na região.

Costão rochoso da Ponta Sul da Ilha do Arvoredo, com matacões graníticos típicos dos pontos de mergulho

Os 8 pontos de mergulho da Ilha do Arvoredo

A topografia que você vê fora d'água — costão de matacões graníticos cercado por mata atlântica — continua submersa. Os pontos misturam paredões, fendas, areia e pedrais. Profundidade média gira em torno de 13m, mas alguns trechos passam dos 30m.

1. Saco do Capim — 8 a 15m

Nível: iniciante / intermediário. Ponto mais ao norte da área liberada, com um atrativo extra — o naufrágio do Granada, um dos mais recentes da região, ótimo para quem quer começar a mergulhar em destroços sem precisar de nível técnico. Fundo de areia com matacões espalhados, baixa correnteza na maior parte do ano.

2. Recanto do Capim — 8 a 12m

Nível: iniciante. Continuação rasa do Saco do Capim, com pedras menores e bastante vida em águas claras. Bom ponto para check dive e para quem está nas primeiras saídas pós-Open Water.

3. Baía das Tartarugas — 4 a 9m

Nível: iniciante. Como o nome sugere, encontros com tartarugas-verdes são rotina aqui. Profundidade rasa torna o ponto ideal para curso, batismo e mergulhadores em sua primeira saída de barco. Visibilidade costuma ser uma das melhores da ilha.

4. Engenho — 6 a 18m

Nível: iniciante a avançado. Um dos pontos mais versáteis: dá para ficar raso em volta dos matacões ou descer para 18m em fendas e canyons no costão. Boa relação entre relevo e vida marinha — garoupas grandes aparecem com frequência.

5. Saco do Farol — 8 a 24m

Nível: iniciante / intermediário. Aqui está um dos achados arqueológicos do mergulho catarinense: canhões de um antigo galeão espalhados pelo fundo, vestígios da rota colonial. Também é onde grandes garoupas costumam aparecer.

6. Saco do Vidal — 6 a 25m

Nível: intermediário / avançado. Mistura de matacões e areia em profundidades crescentes. Costão exposto, com correnteza presente em alguns dias — atenção ao briefing.

7. Ponta do Farol — 10 a 33m

Nível: avançado. Ponto mais profundo e exposto da ilha, no extremo sul. Pináculos isolados, possibilidade de correnteza moderada a forte e fauna pelágica de passagem. Computador de mergulho deixa de ser luxo e vira item obrigatório.

8. Parcel do Boi — 8 a 25m

Nível: intermediário / avançado. Formação de pedras isoladas a alguma distância do costão, frequentemente com cardumes grandes em volta. A correnteza determina a janela de mergulho do dia.

Enseada de águas claras na Ilha do Arvoredo, condição comum nos pontos de mergulho de verão

O Farol do Arvoredo e a base da Marinha

O Farol do Arvoredo tem mais de 140 anos de operação. A proposta veio do Barão de Cotegipe, então Ministro da Marinha, em 1867. A construção começou em 1878 com uma torre pré-fabricada na Inglaterra, e o farol foi inaugurado em 14 de março de 1883.

A torre é de ferro fundido, pintada com faixas brancas e vermelhas, acompanhada de três edifícios térreos. Sua luz branca, com quatro ocultações a cada 60 segundos, é vista a até 24 milhas náuticas — orientando navegação ao norte da Ilha de Santa Catarina há cinco gerações.

Em 2007 o farol foi modernizado com energia solar, num convênio entre Marinha do Brasil, Eletrosul, Celesc e o Laboratório de Energia Solar da UFSC. A presença permanente da Marinha é parte do que mantém o sul da ilha operacional para mergulho — a base militar regula o acesso terrestre e ajuda na fiscalização da Reserva.

Como se preparar para o mergulho

Águas do Sul do Brasil exigem respeito térmico. Resumo direto:

  • Temperatura: 17–19°C no inverno (junho a setembro), 22–25°C no verão.
  • Visibilidade: varia de 5 a 20 metros — melhores janelas entre dezembro e março.
  • Profundidade média: 13m, com pontos chegando a 33m.
  • Roupa térmica: 5mm para verão; 7mm semi-seca para inverno e mergulhos longos.

Para inverno, uma roupa semi-seca 7mm Patagonic faz a diferença entre aproveitar a saída e encurtar o tempo de fundo tremendo. No verão, a roupa 5mm Fun Dive Rocas resolve sem peso desnecessário.

Computador é praticamente obrigatório nos pontos mais fundos. Em Ponta do Farol e Parcel do Boi, com perfil que pode chegar a 30m+, controlar tempo de fundo e parada de segurança no relógio comum vira aposta. Modelos como o computador de mergulho Cressi Leonardo resolvem o básico bem feito; quem mergulha com frequência costuma migrar para soluções com integração de gás. A linha de computadores de mergulho da NetDive cobre dos modelos de entrada aos integrados.

Lista mínima a conferir antes de embarcar: máscara, snorkel, nadadeira, regulador, colete equilibrador, computador, lastro adequado à roupa, capuz fino e luva. Sem isso, a saída vira uma sequência de inconvenientes que tiram o foco do mergulho.

Como visitar a Ilha do Arvoredo

Saídas para o Arvoredo partem de Bombinhas, Porto Belo, Governador Celso Ramos e Canasvieiras (norte de Florianópolis). A operadora precisa estar credenciada no ICMBio — não tente improvisar com barco particular: a fiscalização da Rebio Arvoredo é ativa, com multas pesadas.

A NetDive tem parceria com uma operadora credenciada que sai de Canasvieiras. Se você está pensando em fechar uma saída e quer um pacote alinhado com seu nível e equipamento, fale com a gente que mostramos as opções e datas disponíveis.

Documentação: brevê (cartão de certificação), seguro de mergulho ativo e ficha médica recente. Quem está sem brevê pode fechar batismo ou curso pela mesma operadora — a Baía das Tartarugas e o Recanto do Capim foram desenhados pela natureza para isso.

Conclusão

Arvoredo é privilégio raro de quem mergulha no Sul. A Reserva mantém a ilha viva justamente porque restringe — e o trecho aberto, do Saco do Capim à Ponta do Farol, concentra oito pontos suficientes para construir uma temporada inteira sem repetir experiência. Respeite a regra, leve o equipamento certo e a saída vira lembrança boa.

Para montar ou completar seu setup, vale uma passada pela categoria de equipamento de mergulho da NetDive. E fique de olho aqui no blog: o próximo post da série abre o catálogo de vida marinha do Arvoredo — peixes, invertebrados e os encontros que fazem cada saída valer a viagem.